Roman Polanski

3 Março, 2008 | Categorias: Realizadores Galardoados

Depois de ter falhado o Óscar por Chinatown (Chinatown, 1974) e por Tess (Tess, 1979) – Roman Polanski conseguiu finalmente conquistar o Óscar de melhor realizador pela película O Pianista (The Pianist, 2002), o filme sobre a vida do judeu Wladyslaw Szpilman, músico polaco que conseguiu sobreviver ao gueto de Varsóvia durante o holocausto. Um prémio que Polanski recebeu em Paris, dado que é um foragido da justiça americana desde 1978, ano em que foi acusado da violação de uma menor.
Partindo também da sua própria experiência de vida para realizar o filme – a mãe morreu em Auschwitz e ele teve de viver escondido na Polónia -, Roman Polanski usou O Pianista para exorcizar não só os seus fantasmas (durante as filmagens chegou mesmo a encontrar casualmente um homem que durante a ocupação nazi tinha ajudado a sua família a sobreviver) como os de muitos sobreviventes do holocausto. O resultado foi uma obra cinematográfica magnífica e terrivelmente humana, que se tornou no primeiro filme não falado em francês a receber o César (o maior galardão do cinema francês).
Nascido a 18 de Agosto de 1933, em Paris, não foi a primeira vez que este actor, realizador, argumentista e produtor filho de polacos usou o cinema para exorcizar os fantasmas do passado. Já em 1971 havia realizado Macbeth (Macbeth, 1971) apenas dois anos depois do brutal assassinato da mulher, a actriz Sharon Tate. Uma morte macabra – Sharon Tate estava grávida de oito meses do primeiro filho de ambos – executada pela seita de Charles Manson depois de Polanski ter adaptado para o cinema e realizado o filme A Semente do Diabo (Rosemary’s Baby, 1968), obra violenta e demoníaca sobre uma mulher grávida que carrega a “semente do diabo”.
Os próximos filmes davam a entender que ele jamais se recuperaria do choque.
Depois desta tragédia, Polanski decidiu voltar a viver na Europa, de onde havia saído em 1968 já como realizador conceituado de diversos filmes como A Faca na Água (Noz w wodzie, 1962) – o primeiro filme polaco do pós-guerra a não estar associado a esse tema – Repulsa (Repulsion, 1965) e O Beco (Cul-de-sac, 1966), ambos realizados em Inglaterra e premiados com o Urso de Prata e o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, respectivamente.
Em 1974, porém, Polanski pode mostrar que quanto maior as tragédias, melhor são as catarses artísticas que elas estimulam. Neste ano, ele assinou uma de seus maiores filmes, uma obra-prima incontestável do cinema noir: ”Chinatown”, suspense interpretado por Jack Nicholson e Faye Dunaway que nutriu-se imensamente do cinismo e do amargora que guiavam a vida de Polanski naquela época. O filme teve nada menos que onze indicações ao Oscar, mas levou apenas a de melhor argumento original.
Polanski parecia estar-se a firmar-se novamente em Hollywood, mas o destino havia reservado mais um grande escândalo para manchar a sua reputação. Em 1978, o realizador foi acusado de pedofilia, por ter feito sexo com uma prostituta de 13 anos. Os detalhes a respeito deste incidente são obscuros, mas o que se sabe é que Polanski estava numa festa do colega (e também polémico) Jack Nicholson quando se retirou para um dos quartos da mansão com a prostituta. Polanski sempre deixou claro que não sabia que ela era menor de idade.
Resultado, o realizador teve que sair dos EUA para evitar ser preso. Em 1976, havia adquirido cidadania francesa, e passou a morar desde então em Paris. O juiz do caso jurou que colocaria Polanski atrás das grades e, embora tenha morrido em 1989, o processo permanece válido. Polanski não pode colocar os pés nos EUA sob pena de ser preso.
Mas mesmo assim, ele conseguiu o reconhecimento da Academia com seu filme seguinte ao escândalo, ”Tess”. Lançado em 1979, este drama, baseado no livro favorito de Sharon Tate, narrava a jornada da filha de um camponês à procura de um título de nobreza que há muito tempo a sua família perdeu. O filme lançou Natassja Kinski (com quem Polanski também se envolveu) como a menina ingênua que acaba enredada num jogo de sedução promovido pelo o seu ”primo”, outro nobre que, na verdade, comprou o próprio título. Beneficiado pela culpa que a Academia sentia em relação à pífia premiação de ”Chinatown”, o mediano ”Tess” conseguiu três Óscares. Mas, Polanski não recebeu a estatueta de melhor realizador.
Envelhecido, triste e desiludido com a profissão (ou, talvez, mais selectivo quanto a novos projectos), Polanski ficou anos sem trabalhar como realizador. Preferiu fazer pequenas cenas em filmes de colegas e amigos. Os seus filmes autorais tornariam-se, dali em diante, cada vez mais escassos. O próximo surgiria apenas em 1986 - o fraco ”Piratas”, com Walter Matthau. A sede do público por um autêntico Polanski só seria saciada dois anos depois, com o thriller ”Frenético”, no qual Harrison Ford faz um médico que precisa resgatar a esposa que desaparece inexplicavelmente em Paris, mas não sabe falar francês e não consegue ajuda oficial. É a desculpa perfeita para que Polanski possa explorar o doentio submundo da Cidade-Luz.
”Frenético”, porém, não foi bem recebido pela a crítica pelo o público. O principal dividendo do filme foi o relacionamento de Polanski com uma das actrizes, Emmanuelle Seigner, que viria a tornar-se sua esposa e constante parceira em novos projectos e com quem tem dois filhos Elvis e Mogane..
O seu filme seguinte, quatro anos depois, só seria notado porque envolveria o então desconhecido Hugh Grant em cenas de sexo. Ele e Kristin Scott Thomas protagonizam “Lua de Mel, Lua de Fel”, um melodrama erótico que descreve o relacionamento do casal com outro casal, cuja obsessão por uma terceira pessoa os destruiu física e psicologicamente.
Em1994, Polanski trabalharia com Sigourney Weaver e Ben Kingsley no gélido drama ”A Noite da Vingança”, a respeito de uma activista ambiental que descobre, entre os convidados de uma festa, um homem que a havia torturado anos antes a pedido do governo. Novamente, o filme recebeu críticas variadas - houve quem elogiasse, houve quem sentisse falta do requinte visual e narrativo que consagrara o realizador anos antes. Por outro lado, no mesmo ano, a crítica foi unânime em elogiar o trabalho de Polanski como actor em ”Uma Simples Formalidade”.
Cinco anos depois, o realizador voltaria ao género que o havia consagrado em Hollywood em 1968: o terror. O resultado, porém, foi o inconsistente ”A Nona Porta”, que ponha Johnny Depp atrás de três livros raros que, supostamente, haviam sido escritos pelo Demónio e podiam abrir uma porta para o inferno. Faltava ao filme o enfoque humano e o terror apenas sugerido que havia consagrado ”A Semente do Diabo”
Em 2002, Polanski mostrou que, mesmo aos 70 anos, ainda pode ser um cineasta vigoroso, demonstrando imenso amor e respeito pelo poder do cinema. Com ”O Pianista”, abordou pela primeira vez num longa-metragem o período da Segunda Guerra Mundial, que tantos traumas lhe rendeu no passado.

Óscar

Realizador
O Pianista (02)

Nomeações

Realizador
Chinatown (74)
Tess (79)

Produtor
O Pianista (02)

Argumentista
A Semente do Diabo (68)

Outra Filmografia

Realizador
A Faca na Água (62)
Repulsa (65)
O Beco (66)
A Dança dos Vampiros (67)
A Semente do Diabo (68)
O Inquilino (76)
Piratas (86)
Frenético (88)
Lua-de-Mel, Lua de Fel (92)
A Noite da Vingança (94)
A Nona Porta (99)
Oliver Twist (05)
Cada Um no Seu Cinema (07)

Actor
A Faca na Água (62)
Repulsa (65)
A Dança dos Vampiros (67)
Drácula de Andy Warhol (74)
Chinatown (74)
O Inquilino (76)
A Vingança (02)
O Pianista (02)
A Hora de Rusch 3 (07)

Produtor
Lua-de-Mel, Lua de Fel (92)
A Nona Porta (99)
Oliver Twist (05)

Argumentista
A Faca na Água (62)
Repulsa (65)
Cul-de-Sac (66)
A Dança dos Vampiros (67)
Chinatown (74)
O Inquilino (76)
Tess (79)
Piratas (86)
Frenético (88)
Lua-de-Mel, Lua de Fel (92)
A Nona Porta (99)

Outros Prémios

- Ganhou um Globo de Ouro de Melhor Realizador, por “Chinatown” (1974)

- Recebeu 1 nomeações ao Globo de Ouro de Melhor Realizador, por “Tess” (1979).

- Recebeu uma nomeação ao Globo de Ouro de Melhor Argumento, por “A Semente do Diabo” (1968).

- Ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, com “O Beco” (1966).

- Ganhou o Prémio Especial do Júri e o Prémio FIPRESCI no Festival de Berlim, por “Repulsa” (1965).

- Ganhou o Prémio FIPRESCI no Festival de Veneza, por “A Faca na Água” (1962).

- Recebeu uma nomeação ao BAFTA de Melhor Realizador, por “Chinatown” (1974).

- Ganhou o César de Melhor Filme, por “Tess” (1979).

- Ganhou o César de Melhor Realizador, por “Tess” (1979).

- Recebeu uma nomeação ao Independent Spirit Awards de Melhor Realizador, por “A Noite da Vingança” (1994).

- Ganhou o Prémio Bodil de Melhor Filme Americano, por “Chinatown” (1974).

Curiosidades

- A sua ex-mulher Sharon Tate foi assassinada de forma brutal a 9 de Agosto de 1969 por Charles Manson e elementos do culto o qual liderava. Quando foi morta, Sharon está grávida de 8 meses do qual seria o seu primeiro filho com Roman Polanski.

- Não vai aos Estados Unidos desde 1978, por ter sido condenado por pedófilia de uma rapariga de 13 anos de idade. Desde então Roman Polanski vive na Europa, para não ser preso.

3 Comentários

  1. Ana S
    on 3 Março, 2008
    1

    Roman Polanski é um grande realizador mas a vida pessoal é uma confusão danada!
    A nona porta foi um filme que gostei de ver.
    Beijos

  2. Amargura « Palavra do Dia
    on 4 Setembro, 2008
    2

    [...] Amargura: s. f., amargor; fig., angústia; pena; dor; aflição; acrimónia. Variação errada: amargora. Posted by dscosta Filed in [...]

  3. Carlos Alberto Ci-Polansky Coelho
    on 4 Outubro, 2008
    3

    Oi se voçes poderem avisar a Roman Polanski que ele tem muitos parentes no Brasil nossa ficarei muito grato,esse e meu sonho se poderem avisem a ele.Muito obrigado.

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