Colin Farrell

19 Setembro, 2008 | Categorias: Biografias

Em plena crise de estrelas, Hollywood inteira concorda: Colin Farrell foi o melhor achado no cinema desde o neozelandês Russell Crowe. Pena que Farrell possua um comportamento explosivo muito parecido com o do actor de ”Gladiador”. O novo galã é um típico irlandês, solteiro convicto, que adora beber, falar mal, seduzir mulheres e, volta e meia, está sempre nas páginas das colunas de mexericos. Tudo isso, ajuda a criar uma mística ainda mais favorável ao actor: quanto mais ele parece inapropriado, mais oferta de emprego tem lhe aparecido. A sua persona explosiva acaba por ser refletida nas telas.
Talvez a relutância de Colin em se adequar às expectativas de uma superstar se explique porque ele nunca quis ser um superstar. Colin pretendia seguir os passos do pai, Eamon Farrell, famoso jogador de futebol dos anos 60. O seu tio também era um desportista, então tudo parecia bem encaminhado para o pequeno Colin, que vivia a jogar à bola nas ruas de Dublin. A sua vocação porém mudou, quando a sua irmã se inscreveu num curso de teatro na Gaiety School of Drama. Imediatamente, Colin quis seguir os passos da irmã, e também se matriculou. Antes mesmo que as aulas começassem, Colin mostrou o seu talento precoce ao assegurar um papel no seu primeiro filme, ”Drinking Crude”.
Mas cedo, também mostrou outra característica que se tornaria a sua marca registrada: a impulsividade. Colin não completou o liceu para se dedicar à Gaiety, e depois também largou a Gaiety a meio para trabalhar na televisão - havia conseguido um papel na série local ”Ballykissangel”. Em pouco tempo, Colin havia conquistado o coração das irlandesas, e queria mais. O passo natural era ir para Inglaterra. Lá, fez o seu segundo filme, o drama familiar ”The War Zone”, realizado por Tim Roth (de ”Planeta dos Macacos”). Actuou ao lado de outra estrela emergente, a actriz Tilda Swinton, que posteriormente seria nomeada aos Óscares por ”Até o Fim”.
Consolidando-se em Inglaterra, Farrell obteve dois trabalhos importantes na televisão: a série ”Love in the 21st Century”, ao lado de Catherine McCormack (”Jogo de Espiões”); e o telefilme ”David Copperfield”, com Maggie Smith e o futuro talento Daniel Radcliffe  que mais tarde veria a interpretar ”Harry Potter”.
O ano de 2000 marcaria a sua rápida ascensão à lista de actores mais quentes de Hollywood. Tentou a sorte com ”Ordinary Decent Criminal”, um drama de gangsters passado na sua terra natal a Irlandal, no qual já pôde actuar com grandes nomes, como Kevin Spacey e Linda Fiorentino. O filme não obteve repercussão fora do país, mas marcou a passagem de Colin para Hollywood: ele havia sido convocado por Joel Schumacher para entrar no drama de guerra ”Tigerland - O Teste Final”. Schumacher é, notoriamente, um dos poucos realizadores com percepção nata para identificar potenciais estrelas. Na sua mão, desabrocharam artistas como Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Brad Renfro, Demi Moore e Jason Patric, só para citar alguns nomes.
Depois dos excessos de ”Batman e Robin”, Schumacher decidiu rodar o seu ”Tigerland” de maneira simples, crua, intimista, o que ajudou em muito a interpretação de Colin. O actor vivia um texano que, em treinava para ser enviado para a Guerra do Vietname, ajudava colegas do pelotão a fugir e escapar do alistamento. Colin literalmente reinventou-se diante das câmeras, inclusive ”ao apagar” o seu forte sotaque irlandês para adquirir outro, tipicamente texano. Para delírio das actuais fãs de actor, Colin também apareceu nú em ”Tigerland”, na cena que disse não ter muita dificuldade em filmar. ”Eu nem me importei se alguém ia ver as minhas partes íntimas ou não… Meus amigos perguntavam-me como eu podia fazer uma cena daquelas e não ficar excitado, mas não era assim. Meu pénis parecia do tamanho de um amendoim”, comentou.
O esforço valeu a pena: ”Tigerland” tornou-se um dos filmes favoritos da crítica naquele ano, e rendeu ao actor o prémio do Boston Society Film Critics. No vácuo, surgiram diversos convites. Em 2001, Farrell fez apenas um único filme, novamente a interpretar uma personagem autenticamente americano - o cowboy Jessie James no western ”Pistoleiros Americanos”. Foi um fracasso segundo crítica e público, mas Farrell não estava preocupado: a sua agenda para 2002 já estava cheia. Ainda em 2001, o actor mostrou o seu lado mulherengo e rebelde ao casar-se em Julho com Amélia Walters e pedir divorcio quatro meses depois.
2002 foi repleto de frutíferas parcerias com grandes estrelas de Hollywood. Farrell viu o seu salário subir para 2,5 milhões de dólares para actuar ao lado de Bruce Willis em ”Em Defesa da Honra”, mais um drama de guerra, desta vez passado durante a Segunda Guerra Mundial. Colin viveu um militar com função burocrática que, depois de acidentalmente preso num campo de concentração, envolve-se num caso de tribunal militar e de fuga em massa dos prisioneiros. O filme não foi bom, mas pouco importa: ainda com o mesmo cachê, Farrell teve a oportunidade de roubar a cena do galã Tom Cruise em ”Minority Report ”. Com o privilégio de ser realizado por Steven Spielberg, Farrell interpretou um inspector enviado pelo governo para avaliar a qualidade do Departamento de Pré-Crime, comandado por Cruise. O filme, todos sabem, foi um enorme sucesso de bilheterias.
Ainda no mesmo ano, Farrell voltou a trabalhar com Schumacher, que o exigiu no papel principal de ”Cabine Telefónica”, ao lado de outro actor descoberto e apadrinhado pelo realizador, Kiefer Sutherland. O filme, porém, sofreu uma série de atrasos - o argumento andou de mão em mão em Hollywood até parar no colo de Schumacher. Para piorar, a estréia do filme foi adiada porque no enrredo - um homem fica preso numa cabine telefónica sob a mira de um sniper - foi considerada ofensiva na altura. Porque um sniper aterrorizava a capital federal americana, Washington D.C..
Em 2003, já com a seu nome nas alturas, Colin Farrell actuou em nada menos que cinco filmes. Roubou a cena com o seu Mercenário careteiro em ”Demolidor - O Homem sem Medo”; e agora já pode ser visto como um pretenso espião da CIA no suspense ”O Recruta”, ao lado de Al Pacino. Futuramente, chegam por aqui a cinebiografia ”Verónica Guerin”, terceira parceria de Farrell com Schumacher, contracenando com Cate Blanchett; a acção ”S.W.A.T.”, protagonizada por Samuel L. Jackson, Michelle Rodriguez e Olivier Martinez e o drama ”Dias Selvagens”, um projecto pequeno e independente.
Para 2004, Colin receberá o seu maior cachê até hoje, para interpretar o conquistador macedónico Alexandre, o Grande, no filme homónimo de Oliver Stone. Vai ser uma prova de fogo para o galã, pois outro filme sobre o mesmo tema está a ser preparado por Baz Luhrman  e protagonizado por Leonardo DiCaprio. DiCaprio ou Farrell? Quem será que vai atrair um público maior?
No âmbito pessoal, Farrell mostra-se homem de muitas, marido de poucas. Depois da experiência com Amélia, o actor permanece um solteiro irremediável. O seu nome já foi associado ao de Britney Spears e de Demi Moore e agora foi revelado que ele engravidou a modelo Kim Bordeneve, com quem passou uma única noite. O actor disse estar nas nuvens com o bebê e vai assumir a paternida, mas casar… aí já são outros quinhentos.

Prémios e Nomeações

- Recebeu uma nomeação aos prémios European Film Awards na categoria de Melhor Actor - Júri Popular, por “Dias Selvagens” (2003).

- Recebeu uma nomeação aos premios MTV Movie Awards na categoria de Melhor Vilão, por “Demolidor - O Homem Sem Medo” (2003).

- Recebeu uma nomeação aos prémios Framboesa de Ouro na categoria de Pior Actor, por “Alexandre” (2004).

Filmografia

Actor
Zona de Conflito (99)
David Copperfield (99)
Um Criminoso Decente (00)
Tigerland - O Teste Final (00)
Pistoleiros Americanos (01)
Cabine Telefónica (02)
Relatório Minoritário (02)
Em Defesa da Honra (02)
Demolidor - O Homem Sem Medo (03)
O Recruta (03)
O Preço da Coragem (03)
S.W.A.T. (03)
Dias Selvagens (03)
Um Lugar no Fim do Mundo (04)
Alexandre, o Grande (04)
À Procura do Novo Mundo (05)
Pergunta ao Pó (06)
Miami Vice (06)
O Sonho de Cassandra (07)
Pride and Glory (08)
In Bruges (08)

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